Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

De Fogos e Fogachos

Segundo a Autoridade Florestal Nacional (AFN) arderam, desde o início de 2010 até final de Agosto, 105.806 hectares de floresta e mato. Corresponde, grosso modo, à área de quase 106.000 campos de futebol! Dessa área, também segundo a AFN, 32.521 hectares dizem respeito a povoamento florestal, na sua maior parte de pinheiro-bravo e eucalipto. Para termos noção da riqueza que foi perdida, se se tratasse exclusivamente de pinheiro-bravo e se os pinhais em causa, por hipótese, fossem todos de maturação superior a 5 anos, de acordo com os dados fornecidos, uma vez mais, pela AFN, estaremos a falar de 162.605 metros cúbicos de crescimento de madeira de pinho (5 metros cúbicos por hectare, por ano), que valorados a 20 Euros o metro cúbico, representam 3.252.100 Euros por ano. Em 10 anos, seriam 32.521.000 de Euros, os que nos últimos 10 anos se perderam, uma vez que a média de área total ardida para o mesmos meses do ano foi semelhante (102.649 hectares)...

Seriam 32 milhões de Euros... seriam, mas não foram nem serão. Ainda, que se possa aproveitar algo da madeira queimada, ainda que se possam replantar os pinhais e eucaliptais ardidos, a perda de riqueza para o país é absolutamente arrasadora. Até porque na área de mato, também há muito valor perdido e que não foi aqui contabilizado como pastagens, por exemplo. Arrasador também o facto de se perder um inestimável pulmão natural, oxigenador e regenerador da atmosfera que respiramos. Ainda mais arrasador porque é um cenário que se repete anualmente, com maior ou menor incidência, dependendo das condições climatéricas.

Sobretudo, porque se trata, na esmagadora maioria, de incêndios maldosamente provocados pela mão humana. Sobretudo, porque esses crimes cobardes acabam por victimar vidas humanas. Nos últimos dez anos em Portugal, só de bombeiros falando, morreram 61 pessoas. 61 pessoas que deram a vida para apagar os incêndios que gente miserável e cobarde, na maioria sem punição pelos seus crimes, andou a atear!

Todos os anos a tragédia se repete e todos os anos se repetem os arremedos de decisão política, que possam colocar os cobardes incendiários na prisão pelo tempo que merecem e a população e o património florestal em segurança. Todos os anos promete o país a sí mesmo, os meios de prevenção e combate aos incêndios florestais que nunca se concede, mesmo se tratando de investimentos retornáveis e não de gastos, como pudemos ver.

Todos os anos os mesmos fogachos... que nunca acabam com os fogos. Arde, Portugal...

0 comentários:

Enviar um comentário