De tempos a tempos, levantam-se os liberais que se dizem monárquicos da indolência mais ou menos confortável em que vivem nesta nossa república das bananas, para se insurgir contra a fonte de todos os males, a perene ameaça, o Anti-Portugal : Espanha.
Assim é o patriotismo dos liberais. Que se danem os portugueses, que vendam por trinta dinheiros a alma ao diabo, desde que não seja espanhol!
Como não há agora lenha que reacenda o estafado assunto de Olivença outra fogueira se levanta na fronteira do Minho: pois não é que os traidores valencianos se atrevem a colocar bandeiras espanholas nas janelas, a troco de um mísero atendimento médico de urgência? "Deviam era colocar bandeiras azuis e brancas", atira-se na blogosfera liberalesca...
Podem até os valencianos receber lições de patriotismo... mas não de quem não é verdadeiramente patriota.
Pois não foi a monarquia liberal e usurpadora que conduziu a degeneração do país que culminou na república laica e lassa? Não foi os liberais que introduziram a cultura de endividamento e dependência externa que hoje atinge cúmulos de ignomínia? Não foram os liberais que abriram a porta à maçonaria internacional e à burguesia apátrida que hoje ameaça as fronteiras da Velha Europa? Não foram os liberais que afastaram o povo da sua Fé e da sua moral, a Igreja do ensino e dos hospitais? Não foram os liberais que primeiro instaram o povo a perseguir ideais de consumismo, de materialismo e de relativizarem as suas tradições e o seu patriotismo, PORQUE NÃO ERA DEMOCRÁTICO??
Bandeiras azuis e brancas em Valença? Deus nos livre! Nem em Valença, nem em lado nenhum de Portugal! Ao menos, as verde-rubras não enganam ninguém...
Só nas cabeças dos liberais é que o hastear de bandeiras espanholas em Valença é uma vergonhosa falta de patriotismo. Porque precisam de um pretexto. Para qualquer cristão com dois dedos de testa, os valencianos não têm qualquer problema de identidade: SÃO PORTUGUESES! Portugueses maltratados pelo governo da república que os monárquicos liberais levaram a que fosse implantada. Portugueses que protestam por esta legítima forma que seja em Espanha que lhes prestam os cuidados médicos que, por um elementar exercício de soberania, devia Portugal levar ao mais remoto dos seus lugares. Honrados portugueses que, desta forma, agradecem a Espanha lhes oferecer cuidados pelos quais não pagam sequer.
Viva Valença do Minho e vivam os valencianos! Viva Portugal! Viva Espanha!
Morram os malvados pedreiros-livres!!

VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS(Primeira parte)
ResponderEliminarAs elites portuguesas têm um problema. Não confiam no povo de que são filhas. Lamentam
o "baixo nível" do seu próprio povo. Nem sequer entendem que, agindo assim, e sendo elas
por definição os "melhores" de entre o seu povo, e aqueles que, até certo ponto, devem
dar o exemplo, estão a passar um atestado de incompetência a elas próprias.
No fundo, as elites têm horror a misturar-se com o povo de que são filhas. E lamentam
não viver noutro País, onde as populações não sejam tão rudes.
Ao longo da História, as elites portuguesas têm metido os seus conterrâneos em
aventuras de vários tipos... incluindo tentativas de se subordinarem ou unirem a outros
Estados que não o Português. Estados onde, curiosamente, vivem populações bem menos
acomodatícias que a portuguesa à tradicional prepotência dos "grandes" da Lusitânia.
Curiosamente também, o povo português tem reagido, e destroçado as mesmas elites.
Todavia, parece haver aqui um ciclo infinito. As novas elites que, após as muitas
revoluções que Portugal conheceu, substituem as antigas, acabam por as imitar na forma
como se vêem e vêem o seu povo. Em pouco tempo, os vícios ressurgem.
Não me refiro apenas a nobres ou a burgueses. As elites intelectuais têm seguido o
mesmo percurso. Volta e meia, temos os mesmos discursos descrentes e pessimistas. Foi
assim no final do Século XIX, e de novo no início do século XX. A ditadura salazarista
incompatibilizou estas elites com muitos aspectos da vida portuguesa.
O mais curioso é que esta tendência se renova nos finais do século XX e começos do
XXI. E é ver escritores (começando pelo genial Nobel Saramago, convencido de que a sua
atitude é original...), de vários quadrantes, a lamentar não terem nascido num País maior
e que lhes reconheça a sua "infinita grandeza" ( que marcha a par, demasiadas vezes com
uma infinita presunção ), mas também economistas, grandes empresários, políticos, e,
pior, governantes, a pronunciarem-se da mesma forma. Discretamente, neste último caso,
claro. Mas com muita eficácia.
Durante séculos, o povo rude ficava longe destes procedimemtos. Todavia, e felizmente,
a instrução popular tem progredido. As elites são agora mais imitadas, mais ouvidas, ou
desprezadas com maiores conhecimentos. Instintivamente, o povo revê-se até na
mediocridade das mesmas elites. Para sua desgraça.
(Continua)
Estremoz, 09 de Abril de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
VALENÇA DO MINHO E AS ELITES PORTUGUESAS(Parte 2-Conclusão)
ResponderEliminarAssim se chega a situações com a de Valença do Minho, com bandeiras espanholas içadas
pelas populações. As elites aplaudirão ( "nós não dizíamos? Este povo não tem capacidade
para sobreviver de forma independente; Portugal vai acabar..."), ou abanarão a cabeça com
desgosto, e dirão: "Triste povo o nosso; nem patriotas são; isto só lá vai, mesmo, com
uma ditadura".
Afinal, os habitantes de Valença do Minho nem se apercebem que, com o seu protesto,
estão a ajudar e a dar razão a quem lhes quer tirar direitos. Num País onde as elites
mantêm uma das mais altas taxas de desigualdade social da Europa, e consideram isso
natural, o povo, a eterna vítima, em vez de exigir uma melhor repartição de riqueza, em
vez de lhes exigir que abdiquem do muito que têm para que os serviços básicos (saúde,
educação) não sejam afectados, mas antes melhorados, os "populares" entregam a resolução
do problema ao vizinho espanhol. Que alívio para essas mesmas elites... em que se
incluem os políticos governamentais e muitos dos que os apoiam.
Não me posso esquecer do encerramento da Maternidade de Elvas a favor de nascimentos
em Badajoz. Um precedente perigoso. Quantas pessoas terão consciência DE que, daqui a
trinta e poucos anos, nenhum elvense se poderá candidatar a Presidente da República por
não ter nascido em Portugal, conforme determina a Constituição? Onde está a garantia, por
parte do Estado, do direito de cidadania para toda a população? Quanto sentido de
irresponsabilidade...
Estas não são soluções. A sujeição a estranhos nunca foi solução. Como os portugueses
compreenderam em 1383/85, ou 1640, ou em 1808. E fizeram as elites pagar pelos seus
erros, pela sua cobardia, pela sua falta de patriotismo.
Talvez seja altura de o Povo se assumir como elite de si próprio. Ou de vigiar mais
atentamente, e de forma muito, mas muito mais exigente, quem dirige a sociedade.
Eu preferia a primeira opção. Mas a segunda já pode ser um progresso.
Valença do Minho e as bandeiras espanholas podem ser uma lição. Já chega uma Olivença,
na qual se esmagou uma cultura, uma língua, uma história, e se deteve o progresso durante
um século. Situação que as elites actuais, económicas, políticas, e culturais (ou
intelectuais) evitam abordar. Ou de que troçam, muitas vezes por ignorância, outras vezes
por comodismo.
A República faz cem anos. Como republicano, aplaudo. Como cidadão, acuso quem nos
governa de estar a matar essa mesma República, e com ela Portugal!!!
Estremoz, 09 de Abril de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
COMPARAR OLIVENÇA COM OLIVENÇA? É MELHOR NÃO...
ResponderEliminarLeio várias comparações entre Valença e OLivença... que em alguns blogues se diz estar
agora melhor que no tempo
português... e que Valença, com sorte, poderia seguir o mesmo destino... convém
esclarecer que, segundo as fontes espanholas... era, em 1801, uma cidade
comparável a Badajoz (História da Extremadura Española, Col. Universidade da Extremadura,
1996 (mais ou menos), livro de bolso ). Hoje, tem dez mil habitantes, cerca de 65% do que
tem Estremoz, que
em 1801 tinha pouco mais de metade do que Olivença. Para além disso, a História, a
Cultura, a Língua, foram apagadas ( e ainda são! Não se ensina aos oliventinos, na
escola, NADA da sua História).
Ainda volto a Olivença...pois leio em blogues espanhóis a queixarem-se de que Portugal
é ridículo nas suas reivindicações, e que acabaria por pedir São Félix dos Gallegos e
Ceuta...francamente! São Félix dos Galegos foi cedida a Espanha nas "pazes" gerais de
1411; Ceuta foi cedida a Espanha em 1668, por tratado. Não são casos comparáveis a
Olivença, que LEGALMENTE deveria ter sido reentregue a Portugal. Alguns dos meus
antepassados tiveram de sair de lá...
E, devo dizer, pasmo com o argumento "tempo". Depois de Duzentos anos está tudo
resolvido... O que dizer de Gibraltar, ocupado há trezentos anos...
Mais: este argumento permitiria que qualquer país ocupasse territórios vizinhos, mesmo de
forma ilegal! Bastaria "aguentá-los" na sua posse durante...200 anos? Tudo ficaria
"legal"?
Sou pela amizade de Portugal e Espanha, mas como iguais. Não estou disposto a observar o
que se passa em Olivença, isto é, em plena Democracia, a manutenção de um sistema de
ensino que não informa os oliventinos, de uma toponímia colonialista, de apelidos
falsificados.
O Estado Português tem feito o que pode... e sem dúvida poderia e deveria fazer mais.
Mas... como ir muito mais longe? Declarar uma Guerra? Só assim a Espanha respeitaria os
Acordos Internacionais? Que dignidade mostraria Espanha dessa forma?
Quero uma amizade Ibérica. Sem "rabos de palha". Situações dessas só servem para guardar
ressentimentos. Calados quando é conveniente. Mas... vêm ao de cimo à mínima
dificuldade... e com violência! Olhe-se a Jugoslávia nos anos 1990!!!
Estremoz, 09-Abril-2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Caro Carlos Luna
ResponderEliminarSobre São Félix dos Galegos desconhecia que tivesse sido cedida à coroa de Castela por tratado em 1411... até porque é sabido que se manteve sob a lei da Coroa Portuguesa e nela integrada até 1476. Quanto a Ceuta, é também sabido que não arriou a bandeira Habsburgo e levantou a Bragança na Restauração por uma tão simples razão: cercada pela mourama e pelo mar, era abastecida de água potável por barricas transportadas em barca desde Algeciras. Abastecimento que se tornava impossível fazer, com a guerra entre Portugal e Espanha, pela parte portuguesa. Assim, entre morrer à sede sem honra nem glória militar, entregar-se aos mouros ou manter-se na Católica Coroa de Castela, a guarnição de Ceuta fez o que tinha de fazer. Manteve Ceuta cristã.
Assim, a tomada da praça de Ceuta - que nunca havia sido castelhana - só por ter um tratado em que Portugal capitula na sua legítima posição é assunto pacífico. Olivença, que antes de ser portuguesa já havia sido castelhana - até ao Tratado de Alcanizes - já não o é porque não existe um papel, um tratado que o regularize...
Pois eu digo: então que se assine o bendito tratado! Para o que ele valha, uma vez que em termos territoriais, os tratados entre os dois países têm valido de pouco... Porque Olivença tem tanto de português como o que tem Ceuta. Porquê este estatuto de excepção nas frustrações pseudo-patrióticas portuguesas? Porquê esta estafada lenga-lenga?
Quando as posições legalistas e os tratados bilaterais são sistematicamente desrespeitados há que tomar uma de duas posições: ou se deixam falar as armas ou se deixam falar os povos interessados. Portugal nunca fez falar as armas por Olivença (e ainda bem); se deixar falar os oliventinos e os ouvir saberá de uma vez por todas qual a sua pertença.
"se deixar falar os oliventinos e os ouvir saberá de uma vez por todas qual a sua pertença."
ResponderEliminarDepois de aculturada, e re-povoada em parte por Estremenhos espanhois ao londo do tempo(e parte dos portugueses saíram para Elvas etc. no século XIX e algumas familias ficaram).
Ou seja, abrir um precedente e sancionar um crime de 200 anos. Uma "bela" lição para o futuro e um exe,plo para as outras bnações prticarem o mesmo plano e patifaria. Ocupa-se parte de um território de um país, procede-se à aculturação, deixa-se o tempo andar, se possivel longo para favorecer a coisa, faz-se quem sabe um referendo 200 anos depois. Estaria aberta a caixa de pandora e uma má lição para outras potências praticarem o mesmo com os seus vizinhos.
Não é pseudo-patriotismo. O Patriotismo(que é mais do que isto e envolve muita coisa) começa por aí, e depois das Pessoas, defendendo-se o seu território legítimo, natural e histórico, que lhe dá existência - e é defendido por DEUS e pelo direito - e que não está à venda nem é referendável(a não ser para traidores e apátridas). Como Lisboa, Coimbra ou Porto não referendam.
Pedro
Ceuta foi cedida a Espanha pela Coroa Portuguesa legítimamente em 1668. E devemos respeitá-lo (é afectivamente muito portuguesa, mas é hoje parte de Espanha) gostemos ou não do processo de então - que até foi traiçoeiro (primeiro pelo próprio governador Português - e contra a maioria da sua guarnição ao que parece) por diferenças com a casa de Bragança, temor estratégico geográfico ou militar, enfim, o que terá sido. E a única excepção em todo o Imperio - que estava em todo o mundo, incluindo outras paraças norte-africanas - e se portou à altura do seu dever e coragem.
ResponderEliminarCampo Maior portuguesa já foi antes temporareamente leonês tal como outras localidades lusas, tal como Albuquerque e algumas localidade foram temporareamente portuguesas na história. E são legitimamente portuguesas, portanto não legitima essa patifaria e chico-espertice da ocupação de Olivença.
Pedro
Caro Pedro
ResponderEliminarO senhor contradiz-se lamentavelmente. Diz primeiro:
"O Patriotismo(que é mais do que isto e envolve muita coisa) começa por aí, e depois das Pessoas, defendendo-se o seu território legítimo, natural e histórico, que lhe dá existência - e é defendido por DEUS e pelo direito - e que não está à venda nem é referendável(a não ser para traidores e apátridas). Como Lisboa, Coimbra ou Porto não referendam."
e diz logo depois:
"Ceuta foi cedida a Espanha pela Coroa Portuguesa legítimamente em 1668. E devemos respeitá-lo (é afectivamente muito portuguesa, mas é hoje parte de Espanha)".
Desculpe mas isto é inaceitável. Passados 200 anos não consegue aceitar a ocupação de Olivença mas 360 já bastam para aceitar a de Ceuta. É uma questão de tempo e de tratado... sendo que ainda por cima Olivença já havia sido da Coroa de Castela até ao tratado de Alcanizes, enquanto Ceuta nunca o tinha sido.
Que não fiquem dúvidas: eu acho que a reclamação portuguesa de Olivença tem toda a legitimidade. Só não estou de acordo com o estatuto de excepção que se lhe tem dado, que não tem outro fundamento que não o de ter decorrido menos tempo e de ainda não ter sido alvo de tratado. Pois que se faça o tratado e se ceda Olivença! Não foi o que se fez com Ceuta?
É este o sentido da expressão "pseudo-patriotismo": um patriotismo de excepções.
Caro Irmão
ResponderEliminarNenhuma contradição: Ceuta não tem nada a ver com 360, 340 ou 500 ou 1000 anos, tem a ver com o facto histórico de que foi cedida em Tratado legitimo pelo Governo do Rei de Portugal, pela Coroa de Portugal, gostemos ou não do processo ou de como as coisas aconteceram. E isso é facto histórico. Legitimamente foi isso que aconteceu.
Um aparte: E isso de Ceuta, ficar isolada no abastecimento, não tanto, tinha a Tânger portuguesa bem perto. A verdade é que custavam muito para os nossos Homens e recursos, e por razões de apoio económico, político e militar-logístico, foi cedida também naquela época(até por que ceuta haviam já cido "perdida", ainda que não na Lei(aqui só em 1668) desde 1640; - e entre outras, que seriam abandonadas ainda mais tarde, como Mazagão(esta já no século XVIII). Mas isto é um aparte, que não tem haver com esta argumentação em si. A Coroa de Portugal cedeu Ceuta.
Já o Tratado de Badajoz pela pressão invasora Franco-espanhola e ataque militar, está ferido de legalidade e legitimidade em muitos aspectos e em parte revogado pelo tratado de Viena e pela ordem restabelecida na Europa, com o Uruguai ou sem(o argumento que Espanhois usam - isso já estava na mão do Brasil Imperial) Badajoz está ferida de legitimidade.
Todos dizem que o Tratado de Alcanices foi altamente vantajoso para Portugal e D. Dinis numa época de fraqueza Castelhana-leonesa; pode ser em parte, talvez em 55% ou 60% ou mais em regiões para o lado lusitano, 40% ou mais cedido a Castela, mas na verdade é que foi legitimo e foi mais um acerto de fronteiras que resultou correcto - e D. Afonso Henriques no passado e seus primeiros descendentes tinham ido até Zamora, até Tui, até Aracena na Extremadura espanhola e Andaluzia, chegaram a ocupar temporareamente metade do território da Extremadura Espanhola, Aracena como já disse, entre outras, muito dentro de Espanha, e note-se bem, na reconquista aos Mouros(e não contra Leão ou Castela) e perderam ou cederam esses territórios entretanto, por isso é muito relativo - e mais: mesmo em vantagem Alcanices é o acerto "definitivo" e há cedência de vilas e regiões a Leão e Castela e inclusão e integração de Regiões e vilas em Portugal, acertando as fronteiras para o futuro.
Pedro
Não sei se vai postar o último comentário, assim espero - de qualquer maneira, queria dizer que discordo respeitosamente.
ResponderEliminarCumpts
Pedro